Words
Que usabilidade tem o seu site?
Parte 2
por Cia Romano
(Na primeira parte deste artigo enquadrou-se e descreveu-se o conceito de usabilidade. São agora enúnciados os principios base da usabilidade, e o que pode pode fazer para que o seu site seja mais utilizável)
Quais são esses princípios base? Depois do teste em laboratório esta primavera, definimos um standard chamado Usabilidade Vezes 5 – os critérios que todos os sites Web têm de seguir. São eles:
1 Orientação: Onde estou?
2 Permissão: Pedi aquele anúncio popup?
3 Relevância: Este conteúdo interessa-me?
4 Interacção: O que posso fazer aqui?
5 Velocidade: Quanto tempo tenho de esperar?
Os sites de sucesso seguirão o standard Usabilidade Veze s 5 se tomarem medidas formais para fazerem testes de aceitação junto dos utilizadores. De forma a fazê-lo, têm de primeiro definir e compreender os três principais tipos de utilizadores do seu público. Podemos ter informação demográfica mas, para concebermos sites para os utilizadores, temos de pensar neles como pessoas com características identificáveis. É por isso que criamos perfis representativos de utilizadores, tendo em consideração o género, idade, função, prioridades, condições de trabalho/utilização, bases técnicas, etc.
Poderão perguntar-se o que é que esta psicologia barata tem a ver com rentabilidade. Numa palavra: tudo. Se a audiência é do sexo masculino, temos de ter em conta que um em cada vinte homens sofre de alguma forma de daltonismo. Se a audiência tem mais de 40 anos, o tamanho do texto é importante. Se o alvo do site são pais de crianças, devemos lembrar-nos que eles provavelmente procuram assuntos específicos, que estarão com pressa, e que serão interrompidos. Estes conhecimentos sobre o público são cruciais ao desenhar uma experiência de utilização positiva – e lucrativa.
É importante lembrar que o utilizador Web médio gasta menos de um minuto num site Web como um utilizador não comprometido. Esse minuto é todo o tempo de que dispomos para chegar até ele. Cada segundo gasto em anúncios popup mantém o utilizador afastado de tomar contacto com o conteúdo. Cada vez que “forçamos” os leitores a verem aquilo que queremos que eles vejam em vez do que ele ou ela veio ao site ver, é outro obstáculo.
Os criadores e editores de conteúdo têm de compreender as limitações do computador humano: memória de curto prazo, troca de contexto, daltonismo, um limite de aproximadamente sete itens simultaneamente compreensíveis, a falta de standards de design tecnológico/de informação.
Neste momento estarão a pensar se, de facto, estarão a insultar os utilizadores. Lembrem-se que o pior insulto é prometer algo que depois não somos capazes de oferecer com sucesso. Aqui ficam os pontos comuns mais negativos a evitar:
Colocar um banner de anúncio no topo do ecrã e assegurar que é animado. Ou usar uma janela de popup
Dar aos utilizadores mensagens de erro incompreensíveis
Colocar páginas “Em Construção”
Obrigar o registo
Assegurar que não há forma de contactar um ser humano na empresa
Obrigá-los a introduzir informação duas vezes
Fazê-los pensar onde estão
Deixar os anunciantes colocar cookies que ameaçam o utilizador com expressões do tipo “Este site poderá não funcionar devidamente caso não aceite este cookie”
Suponhamos que querem atrair, e não repelir, os utilizadores, e que estão prontos a pensar em design centrado no utilizador. O que fazer? Tentar alguns testes internos.
A primeira coisa a fazer é determinar as três tarefas principais que queremos que os utilizadores sejam capazes de efectuar. Se já têm um site Web, identifique três tarefas. Alguns exemplos, no caso de uma revista online:
Encontrar o conteúdo deste mês
Assinar a revista
Identificar-se como utilizador registado
Encontrar um artigo de há quatro meses atrás
Encontrar uma coluna regular
Ler, imprimir ou reencaminhar um artigo
Escolha algumas pessoas que não trabalhem directamente no site, e peça-lhes que completem as tarefas, enquanto observa. Na página principal, os utilizadores sabem onde começar? Começam a clicar, ou tentam perceber o que estão a ver?
Podemos ajudar os utilizadores a orientar-se, seguindo as boas práticas do design de informação. Recomendamos sempre que os clientes escolham uma convenção de navegação e a mantenham, para que os utilizadores não tenham de aprender um esquema de navegação mais que uma vez.
Apesar de ainda faltarem alguns standards na Web, a navegação colocada no topo e no lado esquerdo do ecrã está razoavelmente bem estabelecida. Mantenha os interfaces simples, e deixe o design mais vistoso para utilizadores mais sofisticados.
A cor é mais que um assunto de beleza. As associações internacionais de cores estão a emergir rapidamente como um facto a ter em conta. Uma descoberta inesperada no nosso laboratório de testes a leitores de revistas revelou associações de cores não pretendidas, advertindo os editores para serem cuidadosos sobre decisões de design.
Durante muitos anos, aqueles de nós que trabalhámos na criação anúncios ouviamos a frase, “faz apenas com que fique bonito”. O design e a colocação são luxos nas edições impressas, onde a funcionalidade dos livros, jornais e revistas é conhecida há centenas de anos. Na Web, o design é crucial para a compreensão.
Alguns standards de impressão – largura das colunas e uso de citações – são ainda mais importantes online, onde os utilizadores lutam contra o tremeluzir do ecrã e a fatiga da vista. Torne os formulários e tabelas mais fáceis de entender, normalizando o alinhamento e a largura.
Se a sua publicação leva a sério a aceitação por parte dos utilizadores, guarde parte do orçamento para testes de usabilidade. Porquê investir em testes de usabilidade? Poderão pensar que conhecem o publico, mas poderão estar completamente errados. Os testes com utilizadores tornam mais curto o caminho para o sucesso, eliminando opiniões e políticas subjectivas. Podem-se testar cenários Web sem comprometer milhares de Euros em desenvolvimento. Não há nada como um vídeo de um utilizador real a dizer aquilo que nos já tínhamos pensado, na altura de convencer o seu chefe.
O que são testes de usabilidade? São testes objectivos e seguidos de perto por um profissional. Um objectivo principal é testar se os elementos são evidentes. Podemos testar alguns cenários pretendidos, ou a funcionalidade do site, em sujeitos representativos. Os resultados são acompanhados e gravados em vídeo e áudio, e o teste pode e deve ser observado pela equipa de desenvolvimento.
Como é que desenhamos um teste de usabilidade? Os responsáveis da publicação, em conjunto com os designers de informação, identificam as principais tarefas que o utilizador deverá ser capaz de realizar, baseado no modelo de negócio operacional. Os objectivos de marketing e as limitações práticas são incluídos no desenho do teste; identifica-se, traça-se o perfil, e as prioridades do público, e conduz-se o teste em ambiente de laboratório.
Enquanto nós, especialistas em usabilidade, recomendamos testes em laboratório, você e o seu pessoal podem tomar passos práticos na direcção de um site Web mais utilizável. A criação de conteúdo para a Web é mais um esforço colaborativo do que o esquema tradicional de entrega de textos que as publicações tão bem conhecem.
Ao produzir conteúdo online, o desenvolvimento concorrente apresenta desafios de produção. Um escritor de conteúdo para a Web pode funcionar também como designer ou editor de fotos. Por isso, é importante que todo o pessoal se familiarize com a usabilidade.
Escrever para a Web é essencialmente a forma como tornamos conteúdos de texto utilizáveis online. Os leitores na Web querem linguagem e gráficos claros e compreensíveis, dados skimmable (palavras e imagens), scrolling mínimo nas páginas de nível de topo, e a informação crítica à distância máxima de dois cliques.
Muitas técnicas já bastante testadas de layout de edições impressas funcionam bem online. Palavras chave (hiperlinks, mudanças de tipo de letra), subtítulos, listas, parágrafos curtos, barras laterais, e citações, todas ajudam a aumentar a compreensão por parte do utilizador.
Um excelente motor de pesquisa é um componente primordial para a usabilidade (Ver www.google.com). Os sites pesquisáveis acrescentam valor para os utilizadores, tornando-os participantes activos e compensando os seus erros. Uma boa implementação de pesquisa torna o utilizador independente da nossa categorização de conteúdos, o que é bom.
Aqui ficam alguns aspectos finais a ter em conta, ao converter o seu site para uma filosofia centrada no utilizador:
Avaliou, criou perfis, e estabeleceu prioridades para a sua audiência?
Quais são as três principais tarefas que quer que os utilizadores realizem?
O conteúdo e apresentação apoiam essas tarefas?
O design visual encoraja a interacção?
Como está a servir os utilizadores?
Os editores que interiorizarem esta forma de pensamento, irão liderar o pelotão. Garantidamente.
A autora
Cia Romano é CEO e Fundadora da Interface Guru™, uma companhia profissional de serviços, especializada em usabilidade, interfaces Web, e estratégia. Cia é uma divulgadora de tecnologias com 20 anos de experiência em publicações, design, e marketing e sete anos de experiência na Web; lançou Arizona Highways Online em 1995. Cia fala a nível nacional sobre o pensamento centrado no utilizador em conferências como The Folio: Shows, e Internet World (Nova Iorque, Chicago, Los Angeles). Escreva-lhe para cia@interfaceguru.com.
Versão Portuguesa por: Pedro
Mendes