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XHTML: O upgrade da Web
Parte 1: As origens

Janeiro 2003
Pedro Mendes

Cada vez mais se ouve falar em XHTML, XML, CSS, SVG e outras siglas parecidas. Neste artigo, o primeiro de dois, abordamos a linguagem XHTML (Extensible HyperText Markup Language), que veio dar merecido descanso ao HTML. Enquadra-se o seu aparecimento no contexto da Web, e a necessidade de a adoptar a curto prazo. Esperamos que alguns receios de que esta nova linguagem é inacessível se desfaçam. O XHTML é bastante simples, desde que sejam seguidas algumas regras básicas. Estamos confiantes que, depois de lerem os artigos que temos vindo a preparar sobre o tema, estarão aptos para entrar no promissor futuro da Web.

Um pouco de história

No inicio dos tempos, quando surgiu o HTML, a sua utilização principal era descrever informação. Era predominantemente usado no meio científico para partilhar documentos de forma universal e facilmente legível. E, para isso, era o ideal. Parágrafos, listas, headers, títulos (os elementos principais do HTML) eram ideais para este tipo de documentação.

No entanto, à medida que a Web se tornou cada vez mais comercial, a pressão por parte dos fabricantes de browsers, dos utilizadores e também das empresas em geral, no sentido de alargar as possibilidades do HTML foi enorme. Assim aconteceu. O HTML foi esticado, torcido e adaptado à medida das necessidades de um novo mercado que parecia infinito e com lucros fáceis e astronómicos. Como sabemos, a realidade é bem mais dura e foi penoso ver inúmeras “dot com’s” a fechar as portas há mais de um ano. E assim continua.

O problema é que, entretanto, a Web ficou literalmente cheia de sites feitos com essas “criatividades” em HTML, que o puxaram para uma finalidade que não é a sua. Para acomodar os mais variados pedidos, as tags de apresentação (cor, fonte, alinhamento) foram usadas, e abusadas, quando o principal propósito da linguagem é estruturar informação. Não importa apurar responsabilidades, porque além do mais elas são partilhadas por todos, desde os web designers até às empresas que fazem os editores, às que fazem os browsers. Todos, em alguma fase, aproveitamos as aparentes facilidades de um HTML e de browsers demasiado permissivos a erros.

Neste momento está-se a gerar consenso para a necessidade de voltar um pouco atrás, preparando ao mesmo tempo o futuro. E o que significa isto? Muito simplesmente, separar o que é conteúdo do que é apresentação num documento. Como? Usando XHTML para o conteúdo e deixando a apresentação do documento a cargo de Cascading Style Sheets (CSS), por exemplo. Outros artigos falam e falarão em detalhe de CSS. Este vai concentrar-se na parte da estrutura, fundamental para o sucesso da Web daqui para a frente.

X quê?

A linguagem XHTML foi desenvolvida e aprovada como recomendação do World Wide Web Consortium (W3C) em 2000, e é a sucessora do HTML 4. Tentaremos mostrar as principais diferenças a ter em conta e os passos que se devem seguir para criar páginas válidas e bem formatadas em XHTML.

Numa frase, o XHTML é HTML escrito em XML (eXtensible Markup Language). É como que uma combinação de HTML e XML usando a usando a sintaxe do XML.

O XML é uma linguagem de marcação onde tudo tem de estar correctamente escrito, o que resulta em documentos bem formados.

O XML foi desenvolvido como uma forma de descrever dados e o HTML foi desenvolvido como uma forma de mostrar dados. O mercado actual consiste em diferentes tecnologias de browsers, alguns acedem à Internet em computadores pessoais, alguns em telefones móveis ou em dispositivos portáteis. Estes últimos não têm recursos para interpretar uma linguagem mal formada.

Assim, combinando HTML e XML e as suas vantagens, chegou-se a uma linguagem de marcação que será útil tanto agora como no futuro: o XHTML.
As páginas XHTML podem ser lidas por todos os dispositivos capazes de ler XML e, enquanto o XML não é usado de forma mais generalizada, o XHTML dá-nos a oportunidade de escrever documentos bem formados, que funcionam em todos os browsers, independentemente da plataforma.

OK, mas o que é que eu preciso de fazer?

Para escrever documentos válidos e bem formados em XHTML, há alguns passos fundamentais. Destacaremos aqueles que consideramos os principais na segunda parte deste artigo, dando exemplos de cada um deles.

Outras leituras

Especificação do XHTML 1.0, no W3C (em inglês)

Better living through XHTML, por Jeffrey Zeldman @ A List Apart (em inglês)

[Este artigo está publicado em Blaz Networks, um site brasileiro feito por e para profissionais da área da informática, numa coluna sobre standards]

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